domingo, 18 de dezembro de 2011

Vovô é Muito Sábio

   Ontem estávamos almoçando, a família toda reunida como nos velhos tempos. Todos conversando e colocando as novidades em dia. 

   Vovó falava sobre algumas receitas de Natal com a minha tia, eram as únicas que não estavam na grande roda formada no centro da sala.

   Já no meio dessa tal roda estava meu avô, sempre muito simpático e risonho, discursando com a sua voz grossa sobre a juventude. Contava seus problemas no início da vida, dizia que passou por certas dificuldades financeiras por um período do casamento. Papo vai, papo vem, ele começou a falar sobre amor.

   Para quem não sabe, meu avô é o maior contador de causos e histórias que eu já vi. Na voz dele, qualquer história sem graça fica interessante. Disse que nunca sentiu ciúme na vida, nem das namoradas e nem da sua mulher, "muito menos dos filhos" - disse ele.

   Mas o que valeu mesmo como um conselho, daqueles que só pessoas com muita experiência podem dar, transmitindo segurança e autoconhecimento, foi: O ciúme é a desgraça da felicidade. Bem, vovô disse tudo.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Bicicleta e Pôr do Sol

   Ontem quando o dia começava a acabar, eu e minha prima resolvemos dar um rolê de bicicleta. Peguei uma daquelas bem velhas de um dos meus novos conhecidos, minha prima pegou outra e lá fomos nós dar uma volta pela lagoa da cidade.
  
   Pessoas caminhando, crianças correndo, eu e minha prima conversando e o sol indo embora pra voltar noutro dia. Sabe aqueles momentos que você tem a certeza que serão inesquecíveis? Esse foi um.

   O mais legal é saber que nada de tão especial aconteceu... Nenhum fato marcante, apenas a bicicleta, o pôr do sol e o barulhinho da água na lagoa.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Um Vilão Chamado Relógio

   Ai ai meus tempos de juventude, ai ai meus tempos livres, tédio aqui é luxo.

   Semana passada recebi a notícia de que minha mãe havia vendido a casa e com uma parte do dinheiro comprou um restaurante - desses que precisam de reformas.

   A segunda notícia foi que esse restaurante fica em uma cidade no interior do rio. Lá (aqui) não é muito difícil encontrar uma charrete ou alguns figurões que ilustram a cidade.

   Por fim - mas não menos importante - chegou a notícia de que eu precisaria ficar tomando conta desse tal restaurante até o final do mês, enquanto minha mãe cumpre aviso prévio de 30 dias no seu antigo emprego, o qual pediu demissão.

   Se eu queria mudança, se eu queria desafios, se eu queria um momento de amadurecimento e calmaria, nada melhor do que um restaurante em uma cidadezinha pequena do interior. Aceitei o desafio e de bom agrado me "mudei" de mala e cuia.

   Trouxe algumas roupas do meu armário, trouxe meu livro, trouxe o computador, trouxe o celular - que quase não pega - e trouxe aquele frescor de quando tudo é novidade.

   Bem, aqui estou, sem tempo para comer, beber e sem tempo até para entrar no computador. Ainda me sinto no direito de ter pelo menos o tempo pro cigarro, mesmo que seja escasso. Eu não ligo...

   Nada tenho a reclamar, já tenho um novo amor, daqueles platônicos que fazem o dia passar mais rápido, também fiz alguns novos amigos bem engraçados. Conheci pessoas que certamente são inesquecíveis e verdade seja dita, estou aprendendo muito com elas.

   Taí, um bom momento pra esse amadurecimento criar raízes. Bom dia.


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Mãe Maluca, Sapato Furado

   Todo ser possui ou já possuiu uma mãe. É verdade que mãe é tudo igual, só muda de endereço. Existem as mães superprotetoras, as desligadas, as calmas, as nervosas... Algumas pessoas têm duas mães, outras já não possuem mãe nenhuma... Mãe pode ser a avó, pode ser a tia, pode ser a irmã ou até a vizinha. Mãe é aquela que da amor incondicional, que pensa na sua cria com afeição e a protege com todos os seus instintos.

   Me arrisco a dizer que a minha mãe é diferente... Não sei se é diferente de todas as outras, acho que alguém nesse mundo deve ter uma parecida com a minha. Sei que ela é diferente desse esteriótipo de "mamãezinha mimimi".

   Minha mãe nunca ouviu nenhuma fofoca minha criticando meus amiguinhos de escola. Para ela, sempre eu era o errado. Minha mãe nunca se meteu nas brigas que eu participei, para ela os meus problemas deveriam ser resolvidos por mim. Minha mãe também nunca foi contra as minhas decisões e nem a favor. Minhas decisões são as minhas decisões, e não as dela. De fato isso pode parecer ruim para uma criança, ou para um adolescente que diz não querer cuidados, mas no fundo, é só disso que ele precisa.

   A grande questão é que mãe não da pra mudar. A mulher já cresceu, já se formou como pessoa, já realizou grande parte de seus planos e sonhos e dedica seu tempo para concluir os que ficaram pelo caminho. Logo, eu é que tinha que me acostumar com aquela mãe que aleatoriamente eu escolhi quando ainda era um projeto de ser humano.

   Com o tempo, fui vendo outros pontos positivos que a minha mãe tinha - aconselho todas as pessoas que têm problemas com mães a fazerem o mesmo. A sociedade dita todos os padrões que devem ser seguidos por nós, meros mortais. O papel de mãe é apenas mais um perfil traçado por essa tal sociedade conservadora e ignorante. Para eles, mãe deve colocar o seu filho acima de todas as coisas, deve fazer qualquer coisa para proteger a sua cria. Mãe pode matar, mãe pode julgar, pode abençoar, pode gritar... Tudo a favor do seu filhinho. Ora ora, mãe pelo que eu sei bem é um ser humano como todos os outros, sendo assim, ela possui desejos próprios e um filho pode não ser a sua prioridade. Que pecado há nisso?

   Não duvido do amor que minha mãe tem por mim, sei que ele é incondicional. Mas nunca fui um bibelô para a minha mãe, fui um filho (o segundo de três deles). Apenas. Hoje estou com meus 20 anos, tenho meus próprios sonhos, sigo a minha vida e as vezes nem lembro da minha mãe. Hoje então eu penso: Que bom que a minha mãe não foi uma mãe como as outras! Que bom que a minha mãe lutou pela sua vida e não pela minha! Que bom, Que bom! Se ela não tivesse feito isso, talvez hoje eu teria um enorme peso na consciência por não retribuir tanto amor de mãe coruja.

   Minha mãe me deixou preparado para saber o que é certo e o que é errado, minha mãe me fez enxergar o mundo do jeito que ele realmente é, sem padrões, sem preconceito. Todo o amor que eu devolvo a ela hoje, é mais do que merecido. E não se arrependa das brigas, todo filho briga com a sua mãe, toda mãe briga com o seu filho. Ódio? Sim, ódio também está relacionado com as mães, mãe não é a virgem maria, não é santa e possui defeitos. Defeitos esses que devemos sim, por obrigação odiar!

   Odeio a minha mãe, odeio como ela é obcecada por limpeza, odeio o nervosismo diário dela, odeio quando ela senta para ver novela e não escuta os meus problemas, odeio todos os namorados que ela arruma, odeio quando ela resolve ficar moderninha e corta o cabelo de um jeito não convencional, odeio quando ela não se preocupa com a comida e todos nós morremos de fome... Enfim, odeio minha mãe pela metade. À outra metade eu reservo o amor, amo como ela se preocupa comigo quando estou doente, amo quando ela se lembra de momentos importantes que passamos juntos, amo quando ela diz "eu te amo" sem motivo, amo me sentir protegido na casa dela, amo quando ela faz loucuras por mim ou pelos meus irmãos (como comprar um presente muito caro ou aparecer com uma cachorra surdinha em casa...).

   Amo e odeio a minha mãe... Aquele ser humano como todos os outros... Sem beatificação, sem auréola. E sobre o sapato furado... Eu acabei de descobrir um furo enorme no meu sapato, que até me motivou a escrever esse texto. Todo jovem pensa primeiramente em sua mãe para consertar tal estrago, de fato, também pensei na minha. Mas logo me veio a cabeça como ela é preguiçosa quando o assunto é consertar algo... Fazer o que né? Ela é assim.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

To numa de flores, to numa de amores

   Tanto procurei por esses tempos alguém do meu agrado... Admito que sou bem chato em relação a escolha das pessoas as quais deixarei entrar na minha vida. A maioria delas entra superficialmente, mas apenas algumas vão a fundo de verdade. Quando isso acontece, lá eles ficam pra sempre e até criam raízes.

   Hoje me sinto bem comigo mesmo, não procuro alguém para grudar. Não tento mais achar uma pessoa para aquietar esse coração. Mesmo assim, ainda vivo só de amores, nunca deixarei de amar!!!

   Aliás, to bem numa de amores. Amo cada gesto, cada palavra, cada olhar, cada conversa. Amo a pele, amo o superficial, amo dos pés a alma. Amar as pessoas é algo bonito de se fazer, é gostoso saber que ainda se pode amar.




   Experimente esperar raiar o dia, esperar o sol aparecer e mande essa chuva embora. Quando os passarinhos estiverem cantando, vá até a rua e entre nesse lance de amar.

   Olhe para as flores, preste atenção em como elas balançam ao vento. Olhe para as pessoas, preste atenção em como elas se comportam. Siga andando, mesmo que ninguém perceba. Siga amando e não deixe de amar nem por um segundo.

   Ame as flores e as pessoas. E ame o mundo principalmente, porque esse é o primeiro passo pra ele girar mais ensolarado.

sábado, 26 de novembro de 2011

Amor e Ódio a Glauber Rocha!

Cinema sempre foi a minha paixão e esse sentimento me levou a procurar um curso no início de 2010.

O que era para ser apenas uma brincadeira, acabou me trazendo responsabilidade. Hoje estou rumo ao quinto período de uma das melhores faculdades cariocas sobre o assunto. E o que era paixão, hoje é trabalho, estudo e coisa séria. Desenvolvi um olhar crítico e comecei a admirar outros fatores encontrados naquela tela gigante que chama a atenção de tantas pessoas e que antes, passavam desapercebidos pelos meus olhos.

Antigamente, enquanto todos odiavam o cinema brasileiro, eu era apaixonado por ele. Principalmente pelo incrível Guel Arraes, que para mim é um dos melhores diretores brasileiros da atualidade. Admito que não sabia quem era Glauber Rocha. "Nossa! Como pode um aluno de cinema não conhecer Glauber Rocha?" Era o que as pessoas pensavam e era o que eu dizia... Por vergonha e por curiosidade, fui motivado a assistir os seus filmes, a ler suas histórias, a conhecer a sua vida e aos poucos fui entendendo o que se passava em sua cabeça tão cheia de ideias e opiniões.

Domingo passado então, resolvi comprar o mais novo livro sobre Glauber, "A Primavera do Dragão - A Juventude de Glauber Rocha" de Nelson Motta e despretensiosamente fui comendo aquelas folhas tão cheias de histórias semelhantes àquelas que vivo atualmente.

O livro retrata a juventude desse homem tão envolvente e tão admirado pelos amantes de cinema. Fui aos poucos me vendo no livro, não como Glauber Rocha, e nem como seus amigos (como Bananeira, Joca, Calá e todos os integrantes das famosas Jogralescas), e sim como mais um jovem apaixonado por filmes que tanto tem idéias na cabeça, mas por vezes, falta a câmera na mão.

A questão é que hoje terminei o livro como num passe de mágicas e estou insaciável, querendo mais e mais. Estou amando Glauber Rocha e toda a sua história. Porém, antes de ler, meu conhecimento sobre essa fantástica pessoa era limitado aos seus filmes.

Sempre respeitei e admirei o seu trabalho, principalmente o mais ousado e polêmico deles - o documentário Di-Glauber, que Glauber fez em forma de homenagem ao seu amigo Di-Cavalcanti, que havia morrido.



Eu pensava (e talvez ainda pense) que mesmo tendo revolucionado toda uma indústria, baseando-se na Nouvelle Vague e nos filmes italianos, Glauber tinha feito o povo brasileiro ter uma imagem errada sobre o que é cinema. Depois de ter mudado e influenciado tantas pessoas, era difícil vermos uma sala lotada exibindo filmes brasileiros a 6/7 anos atrás, no mínimo. (Lógico que com algumas excelentes exceções como Carandiru ou Cidade de Deus.)

O fato é que Glauber Rocha trouxe o cinema novo e fez com que o povo brasileiro engolisse muita informação de uma só vez, e obviamente isso não deu certo. O que eu estou tentando dizer é que tudo foi genial, mas na visão de amantes do cinema. Para o grande público, tudo aquilo era confuso, apenas.

O cinema novo, o cinema de arte, o cinema francês... Tudo isso têm sem dúvida o meu amor e o meu afeto, mas precisamos também pensar que não é nenhum pecado querer ter um grande sucesso de bilheteria em seu currículo, afinal, amantes de cinema também precisam pagar suas contas.

Com a minha visão atual, estou aprendendo que podemos fazer tudo. Hoje, me pego completamente influenciado pela visão de Glauber. Estou vivendo a minha juventude plena e nesse momento me arrisco a encher meus filmes de arte.

Por fim, hoje sei quem é esse FANTÁSTICO homem que tanto fez pelos estudantes de cinema, que até hoje assistem aos seus filmes com os olhos fascinados e brilhantes, grudados na tela do começo ao fim. E por isso o admiro tanto.

Quem é que nunca sentiu amor e ódio por essa figura brasileira que tentou de todas as formas mudar o Mundo? Ame ou odeie Glauber Rocha, o fato é que suas obras ficarão para sempre em nossa cultura.

É de amor que eu to falando

Talvez já não lhe agrade mais esse amor
Se for esse o problema, peço para que me diga por favor
Até posso tentar mudar, mas não quero mais esse ardor

Então vá e não olhe para trás
Ficarei sozinho com a minha paz
Vá e não volte mais
Siga teu caminho meu rapaz

E só pra constar
Não vou ter outro alguém
Não vou ter mais ninguém
Eu vou é pra Belém

Talvez eu já não queira mais o teu amor
Se esse é o problema, vá embora depressa, por favor
Não tentarei mudar nada, nem ao menos essa dor